gaveta
28.7.05
este post é baseado em factos verídicos
ando a ler posts que me deixam intrigada e pensativa. todo o mundo preocupado com a vida, com as fases que passou, passa e ultrapassa, consigo, com os outros, etc. há um tempo que as minhas divagações não passeavam por aí e agora vejo-me forçada a ver-me ao espelhos nos vidros dos carros dos outros. obrigadinha minha gente, mas que rica merda!
arruma-se já aqui o assunto!
eram duzentas fases por dia, domei-as até se tornarem menos neuróticas. reduzi a dose.
as condições da vida em sociedade obrigaram-me a seguir caminhos que não queria, como declarar o irs e ser educada com a mulher da secretaria.
as fases, sempre vividas com intensidade deram lugar ao quotidiano em que tudo tem de ser funcional e eficaz e lentamente vejo perdidos pedaços de mim para uma vida comum e as
ocasionais massagens à imaginação não recuperam o tempo perdido.
metade foi opção, o resto foi pressão e descuido.
as vontades e ambições continuam a ser as mesmas.
a poesia continua lá, é preciso é cavar.
alienei-me? traí-me?perdi valor?
equilibrei-me.
porque o desíquilíbrio só é bom às vezes e o moderado irrita.
sentia tudo mais intensamente, o bom e o mau.
agora que não penso tanto nisso, é mais fácil.
a sensação de liberdade é diferente e a onda criativa abranda e já não é uma constante.
não é um drama, faz parte, não lamento muito.
continuo a mesmíssima pessoa mas distanciei-me de mim mesm o suficiente para poder olhar para mim e para tudo em volta com calma.
fiquei com o sarcasmo para ir tomando à hora das refeições.
continuo com fases.
não me tenho saído mal.
que sera, sera.
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(ao som do genérico, a passar devagar)
em 2002 Rita e Dan casaram-se e
vivem agora como serralheiros no Nepal.
têm 2,5 filhos.
Rita continua com horror ao comum,
Dan conformou-se e é famoso pelos
seus trabalhos.
são felizes.
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como vêem, não há receita



