gaveta
26.7.05
taras e manias
Tinha a mania de me fixar nas matrículas do automóveis que passavam enquanto estava na estrada, no banco de passageiro de um qualquer carro; olhava-as e instantaneamente chegavam palavras. Há matrículas excepcionais que adoro como XS-20-00 ou 00-99-NU, há as que não dizem nada e há as que têm números ou combinações de letras que puxam um sorriso aos meus neurónios. São codigozinhos, parecendo que não as matrículas dizem alguma coisa sobre o dono do carro, claro que quando compramos um carro não há nada que decida a nossa matrícula mas é essa mesma alietoriedade que importa. Ainda tenho essa mania.
Tive a mania de soletrar mentalmente todas as palavras que ouvia, dizia ou pensava. Dava-me conta do juízo, não tinha espaço para mais nada, só via aquilo. De vez em quando, por uns segundos volta a acontece-me.
Tive durante uns tempos a mania de imaginar as palavras que pensava a serem digitadas letra a letra no teclado de um computador. De um computador ou de um telemóvel. Foi só durante um tempo.
Tinha a mania de assim que ouvia uma palavra pensar, imediatamente a seguir, noutra que rimasse com a anterior. Esta é mentira mas podia perfeitamente ter tido.
Tenho uma mania feia e inconveniente, com qual tenho lutas dignas de arena, que é a teimosa mania de inventar. Não é propriamente mentir, embora acabe por ser, nem é para me fazer de interessante, nem é por não ter mais nada que dizer. É mais forte do que eu. A realidade e a verdade já são mais que suficientes mas há oportunidades irresistíveis de inventar. Não é para enganar nem para fingir só que me sai, e eu que nem sou uma pessoa especialmente criativa. Tento amordaçar isto a todo o custo porque muitas vezes sai-me caro e dá trabalho.
Outra coisa chata é a mania de ficar com o que não é meu. Não é roubar, não é que me falte nada, não sou invejosa mas ultrapassa-me. Não é mania, é uma vontade irresistível. Esta também me dá trabalho e como é tanto socialmente como moralmente condenável está muito bem amarrada, embrulhada e escondida. Não convém sair cá de dentro. Raramente vê a luz do dia mas não a posso negar, só impedi-la.
título do post roubado ao marco paulo - e mexe e remexe, se enrola, rebola, se abre, se mostra pra mim... (o apogeu da canção popular romântica ligeira portuguesa)



