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gaveta
3.8.05

como é possível que me esqueça de que amanhã estarei morta. do pó ao pó?
porque não me lembro disto na fúria, no carrossel dos dias?
porque preciso de escrever para não me esquecer?
porque me julgo imortal ou duradoura?
porque me importa a camisola e o preço do creme?
porque oscilo sempre entre eu e o mundo e não penso no arame em que corro?
porque caio na teia do possível e nem sempre luto?
porque não encarno o carpe diem? e porque me deixo levar?
porque não me dou de um salto?
porque recuso o depois? porque deixo para depois o agora?
porque não rezo aos deuses? porque não temo? porque teimo?
porque fico cá e não vou lá e vou e não fico e porquê?
porque espero? porque me desculpo e porque aceito?
porque não meço e não vejo até ao fim?
porque me escapa tudo isto? porque me entrego aos dias da semana?
porque sou inconsequente e apenas de corpo presente?
porque me passeia o espírito debaixo de candeeiros?
porque me revolto e depois volto?
porque carne e não peixe?
porque passa, porque amassa?
porquê amar e porquê deixar?
porque vejo da janela? porque como da panela?
porque não importa e porque é importante?
porque somos anjos bestiais de canduras carnificinais?
porque não devoro se para isso tenho dentes?
porque não abraço se sei que devo?
qual o porquê da hesitância?
porque fico aqui à espera da resposta? e porque saio à sua procura sem parar?

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