gaveta
30.8.05
no dia em que te vir vais ver-me também. e vou derramar sobre ti o que hoje me entope as veias e me molha as meias sem qualquer sabor. e nem vais perguntar e nem vais dizer nada e eu, como tu, vou ficar calada. tal rato encolhido a roer línguas de gato vem deitar-te comigo, em frente ao retrato. traçado sem laços, de batons baços, cor de rosa, cor de laranja, cor de encarnado, de cor e salteado e nem vais ser preciso mexer uma palha porque já sei que não há agulhas neste cruzeiro. portanto sem pressa nos corrimões e nas escadas, sem dar encontrões às outras amadas e vou passar de mansinho as serenatas a limpo, enquanto me embebedo de vinho retinto. à espera, sentada.



