gaveta
2.8.05
nossas senhoras
o povo português, já se sabe cheio de nuances mas as de verão são deliciosas.
chega agosto e com ele os exilados. de frança, suiça e luxemburgo directo para a festa. arraiais assentados e viva os arraiais, já se sabe. começa a pereder-se, já são mais raros, é preciso sair da metrópole para entrar neste mundo. mas vale a pena. misturam-se as santas (quase sempre dos remédios, das dores, dos calvários, das chagas, etc. desde que num tom sofrido) com as divas (a incontornável ágata e todas as suas afilhadas) do panorama musical nacional. divas e divos, que também os há. e é um espétaculo de barracas a venderem panelas e chibatas de cavalo marinho, roulotes-discotecas e brinquedos made in china. concertos cheios, com envergonhados e animados a baterem palmas ou não. tudo em família a que chamam famelga. dançam ela com ela, ao som do emanuel. uma versão balnear do natal dos hospitais. com danielas mercurys e morangos do nordeste nos lugarejos mais à frente do seu tempo. qual sudoeste, qual carapuça! ele é o rancho, o romance e o cumbíbio que estão no ar. sou fã.
das farturas e tremoços.
ora ele há lá coisa melhor que isto para bem dispor o espírito?
não prescindo e sei as letras todas.
ajunto-me às gentes e baila-se com quem calha.
e há que manter isto vivo e que se lixe a gulbenkian!



