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gaveta
30.9.05

assim mesmo




porque hoje estou perdida e triste
















porque eu hoje estou para morrer


falta-me o tempo para actualizar os links, mas também me falta o tempo para amanhar as lulas e para viver descansada, portanto...
calvin, ainda n te tinha dito em lado ninguno, mas ficam aqui os parabenes pelo corropio aí em casa e pela nova morada .)
fico também muito contente com a entrada na atmosfera do sr. mexia e do sr. nogueira. logo lhes darei tratamento adequado. a eles e a outros que eu não sou de poupar.


sinopse da minha manhã à base de taglines e à falta de haikus
Because you're paranoid it doesn't mean they're not out to get you.
Bed and I were made for each other.
Been dieting for 2 weeks and all I've lost is 2 weeks
Been there, done that, bought the T-shirt.
Been volunteering for those psychological tests again, haven't you?


Ó caralho! Ó caralho!

Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe?
Quem é que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?

Ó caralho! Ó caralho!

Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.

Ó caralho! Ó caralho!

Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.

Ó caralho! Ó caralho!

Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.

Ó caralho! Ó caralho!

Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?

Ó caralho! Ó caralho!

Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.

Ó caralho! Ó caralho!

Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.

Ó caralho! Ó caralho!

Nunca ninguém diz o no
medo silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.

Ó caralho! Ó caralho!

O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis.
Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor.
Concerteza.

Ó caralho! Ó caralho!

Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.

Ó caralho! Ó caralho!

Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.

Ó caralho! Ó caralho!

Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.

Ó caralho! Ó caralho!Ó caralho!



Poema de Joaquim Pessoa



save as draft

Há qualquer coisa num espelho que me desarma. Sim, esta é uma boa frase para começar. Há qualquer coisa num espelho que me mata. Também serve para segunda frase. A frase que se segue fica para quem ainda não saiba: não julgo que os espelhos possam roubar a alma. Dão-nos outras. Eu não acho. Mas acho outras coisas. Encontro e descubro outras coisas. (para terminar depois)


pode ser?
Lentamente, muito devagarinho. Devagar, primeiro um pé e depois o outro, sem fazer barulho para não acordar os deuses. Lentamente como o casulo a abrir. Com cuidado mas ainda natural. Lentamente para que o sabor não se perca, para poder sentir. Lentamente para mais ninguém ver. Descer e subir escadas, entrar e sair em ruas. Lentamente passa o tempo por baixo dos meus dedos mas corre e foge debaixo dos meus pés. Começa-se e acaba-se lentamente. Em círculo, em ciclos lentos mas que não param. A lentidão é uma causa a defender, há que cultivar a lentidão. Devia haver agricultores a cultivar lentos, seriam parecidos com batatas. Usar-se-iam nas sopas e cozidos. Os cozidos devem sê-lo lentamente. Os amantes também; lentamente, sem contar o tempo, com a lentidão necessária para chegar à meta em último lugar. Quero viver lentamente, quero morrer num instante.a dissolver caramelos.


Porco, se me estás a ouvir... foi assim:
Onde estará o porco tatuado? Não estou a pensar em nenhuma personagem sinistra, estou a falar do porco. Vi-o uma vez na montra e gostei logo dele. Não olhei para ele muito tempo porque estava com pressa, mas não me esqueci dele. Achei-o impertinente e divertido. Voltei a passar por lá por acaso e perguntei-me onde estaria, já não estava na montra. A porta estava fechada mas as luzes estavam ligadas, ainda não eram três horas mas estava quase na hora de abrir. Olhei lá para dentro, talvez tivessem mudado o porco de lugar. Houve alguém que me viu e veio ter comigo, abriu a porta e atirou-me um sorriso genuíno, sabendo-me improvável compradora de qualquer uma das peças mas a apreciar o interesse, também ele improvável. Perguntei-lhe pelo porco e apontou para cima. Ainda o temos. Olhei para cima e reparei que a montra continuava até ao 1º andar . Vi o porco e continuava lá sim senhora, tão sereno como da primeira vez. Se quiser saber mais alguma coisa é só perguntar. Prontidão enciclopédica e perguntei-lhe quanto custaria levar o porco para casa. Disse-me dez mil euros sem medo e com orgulho. As contas fugiram-me para a boca e eu disse baixinho dois mil contos, continuei a sorrir e segui. Penso no porco e de todas vezes faz-me rir. A visão do porco tatuado no hall de entrada em casa faz-me cócegas na barriga. Imaginar um porco inteiro embalsamado, com o corpo pintado, coberto de símbolos e com as quatro paras assentes numa pedra quadrada e preta, a desafiar da maneira mais insólita a seriedade ou a pose de quem entra em minha casa e ainda não o conhece, faz as minhas delícias. Talvez fique por lá algum tempo, talvez seja vendido amanhã ou talvez ninguém o queira e ele volte às mãos de quem o criou. Que quem quer que o tenha goste dele como eu e que quem o trouxe à vida saiba que teve um momento de génio. Talvez um dia ele me espere enquanto eu não chego da rua.
Tem uma certa graça pensar que o produto do génio de um homem possa ser comprado por outro homem ou até por mais do que um o que se torna ainda mais bizarro.


mas como quem muito fala pouco acerta vou estando perdoada

29.9.05

ameaços
tanta coisa para dizer, tantas graçolas, chalaças, larachas, piadolas, trocadilhos a atirar pó inteligente. tantos comentário, anotados e dispersos. sem tempo, com vídeovigilância e redes de informações secretas. sem conta recheada, aliás rapada, foi-me raptada a ligação, o tempo e o espaço para postalizar, processar e carimbar a minha informação. o reino dos blogs como reino dos reinos. muito ranho, muito ranço. mas sentido. e portando dá dó ver que não dá para ser fácil. o mais capz é de Sábado talvez despejar os retalhos, pintar a manta. os acumulos pesam e depois é desfiar rosários para que a prece alivie. ai, ai...

28.9.05

preciso de um novo dicionário de chacha.
apesar do meu desenrascanço em situações sociais confrangedoras, cada vez sou menos capaz de me aguentar a fazer sala


neste momento de instabilidade ansiosa, pus de parte as minhas leituras para não me atribular ainda mais. mas o vício continua e então fugi para os lidos e tradicionais. ontem à noite dei por mim a ler Uma Aventura no Natal.
só para terem uma ideia de como
isto
está
...


tortura tortura são os barulhos de boca dos outros a comer.
sendo o pior o mastigar da banana.
destruirei ou confessarei tudo quando exposta a tal tratamento.

27.9.05

há cem anos que estamos mais relativos


se eu fosse homem a última coisa que queria que me fizessem era um bobó. que coisa mais ridícula para se fazer a alguém, um bobó. diminui imediatamente tudo o que envolva.
môr, faz-me um bóbó. tá bem môr, eu faço-te um bobó. olha, ontem fiz um bobó ao meu môrzinho. e o teu môrzinho gostou do bobó? jesus que humilhação fazer-se um bobó a alguém.... se alguém tentar fazer-me tal coisa não vai ser nada bonito...
bobó? pleaaaaaaaase...



douglas kirkland está cá
amanhã às 20h na SNBA



com slide-show na fnac colombo a 29 às 18:30


uma alma branco sujo meio a rir meio a gritar meia perna de presunto sem perfume para curar
segredilha-me ao ouvido meio a vir meio a ficar mata tu por mim que eu hoje estou cansada, são quinhentas de fiambre e cem de carne assada fica com as senhas os papéis a máquina os números eu vou ficar hermeticamente fechada. obrigada, é só.


vai um oscar?

é mesmo gere este primeiro ministro...



fazes-me um b b king?



não como bolos, como cebolas



apaixonou-se.
ela usava tamancos.
não houve nada a fazer.









foto: cortesia fundação mário soares


a coisa de porcelana mais triste que escrevi
pierrots e arlequins


ermenegildo a dar uma de vivido à mesa de jantar
mãe, desculpe lá mas este queijo sabe a esperma!

26.9.05

cara de má
de há uns anos para cá tenho constatado uma triste verdade. poucos há que vão com a minha cara. não que me faça grande comichão mas porquê, pergunto eu. não ambiciono aprovações e muito menos unanimidades mas santo cristo, o que é isto?!? semeio a embirração imediata e quando não, a longo prazo chego lá. é o nariz? o queixo? o perfil? serei bruta? uma ameaça? por pura curiosidade gostava que alguém me dissesse o que é que não marcha na minha cara. é que às vezes é demais...


chiquesse
qual a rapariga que nunca quis usar o vestido ventoso da marilyn? ou segurar numa boquilha, de de mittenes e beicinho posto para a foto? qual de nós não quis longas pestanas, tiaras e uma iluminação preto/branco lisonjedora?
e qual o homem mesmo homem que não se entristece ao ver que não lhe aparecem as oportunidades de usar um smoking?
ora procurem glamour no google e a ver se não é tudo xxx.
good old happy days... amanhã vou de stilletos, seda selvagem e vison para o trabalho


o que pode haver de tão bom numa pêra doce para que não queiramos que acabe nunca?


eu que não tenho tempo para nada
prometo aqui, já e agorinha mesmo que quando puder inaugurarei ...

24.9.05

nada a fazer,
a minha humilhação pública continua


hão-de haver sempre pessoas mais inteligentes, com mais piada, mais bonitas, com um espírito maior, uma alma mais larga, mais brilhantes e iluminadas, que viajam mais, com mais saúde, mais sorte, mais dinheiro, que sabem mais, que lêem mais, com mais sucesso, com melhor primeira impressão, com mais je ne sais quoi, moralmente superiores, lutadoras, redentoras, com mais charme, mais poesia, com mais talento, com mais trabalho e esforço, que são melhores que nós nalgum aspecto ou em tudo mas...



A - não me conformo
B - não faz mal por que sou feliz
C - não as conheço
D - nenhuma delas é tudo ao mesmo tempo
E - somos todos iguais
F - serei uma delas um dia
G - outro


porque
de todas as vezes
me desfaz o coração


não me apetece deliberar, decidir e condenar. saber se vergonha é roubar ou ser apanhado, se infedilidade é só vontade e se porno é arte. não me apetece repetir-me na cantilena circus vulgaris de palhaçadas compradas na mango, de que mal que vai tudo isto, vou-me embora, ou é mau mas ainda é o melhorzinho. não me apetece schubert nem outros teclantes, nem pedros pais nem pedras rolantes, bacalhau à vai com deus que isto o diabo não está sempre atrás da porta. eu quero é patinagem, sem a artística sujeita a nota, antes contusão a pirueta e mais duas histórias para contar. o que eu quero é escrever cartas e que cantem para mim sem me mandar calar, eu quero canja de galinha, fazer bolhas com a palhinha e ir prá cama a estrebuchar. duas piadinhas fáceis, todas fora dos carris, festas de anos e jardins, mousses de chocolate no cabelo e chamar-lhes avant garde. inventar e impingir, telefonar pra chatear. hoje é sabado e é assim.


se chamar opus domesticae às lides da casa,
a coisa adquire mais dignidade ou nem por isso?


ir à confiança e ir ao engano,
são ou não são as duas melhores maneiras de ir?


esta é aquela altura do ano em que
metade do povo anda de cavas
e a outra metade de samarra.
mas o samarra look fica-me bem...


sonhei que a minha casa era uma vitrine
que eu vivia numa montra
com sapatos pregados aos pés e
cabelos falsos a cobrirem-me a careca
e eu andava por ali entrincheirada
a ser observada e ignorada
por não ter etiqueta nem preço


saiu para comprar marcadores fluorscentes e quando chegou a casa e se fechou no quarto, ficou muito triste ao ver que não brilhavam no escuro


Angústia: branco mais branco não há

21.9.05

ita
finalmente o meu nome começa a impor algum respeito...



EU QUERO UM SACO AZUL


irritam-me as pessoas
que dizem gâgal
em vez google


as velhinhas de cabelo roxo são um doce


e eu digo a sim...
ser génio não cansa?
e
ter génio?

20.9.05

any questions?


só pra chatear e não só

também tenho letrinhas distorcidas



e diz um para o outro:
-estou mais gordo, não estou?



Adélia era anã e tinha problemas de coluna mas queria ser bailarina



há ou não há aqui qualquer coisa estranha?


porque há dias pirosos. mas como dias não são dias...

Tudo que somos está escrito. O sentimento mais sombrio, o gesto mais singelo, a capacidade de matar, a boa-vontade de acreditar, a união desprovida de amor, o desejo de cuidar, o exercício de mentir com toda sinceridade, o sonho de voltar à posição fetal pra começar tudo de novo e a técnica de sorrir quando os olhos só chovem. A sensação do meio-sorriso, do cinema-sem-pipoca, do beijo-sem-língua, do cão-sem-dono, do quase-bonito, do sonho-de-ícaro, do medo-do-escuro, da traição-de-ocasião, da alegria-de-palhaço e da sede-de-afeto. A trajetória de um coração incapaz de amar a si próprio e a quem quer que seja. A existência de uma vida indigna de qualquer livro ou filme. A desilusão de quem fecha todas as portas. A imensidão de abismo que habita cada um de nós. Tudo que somos está escrito numa canção. Cada um tem a sua. O sentido da vida é encontrá-la. A canção que eu fiz ontem pode ser a que lhe cabe com exatidão. A mais pedida no seu dial pode ser a que existe somente pra me coroar. A grandeza está na escuta de todas elas até que se reconheça a canção que traduz cada um em carne, alma, coração e mente.

ps: eu sei, eu sei... mas pronto, fugiu-me a veia praqui, pronto... encontrei isto algures no meio da minha papelada (or shall I say tonelada?) não fui eu que escrevi mas está bem posto, assim compostinho, vá lá



nunca presto a atenção que devia
às coisas que faço

18.9.05

há dias
em que está tudo
muito iami
e é tudo óié


para que morra feliz
que o meu epitáfio seja mentira



(a imagem vem para desculpar o que passarei a descrever...)
haverá alguma coisa pior que uma batata grelada?
não há sci-fi nem nada que imagine, jamais, em tempo algum, nada de tão terrífico, arrepiante e tão profundamente repulsivo-repugnante como essa maçã da terra a florir. e quanto mais adiantado o estado pior o efeito. venha frita, pureada, esmurrada, assada, doce, salteada, tudo menos o estado avançado de reprodução da dita.
zombies? um mr. potato leproso bate aos pontos.


pérola do ellen show
-so much for my fondue!
-well, now i'ts a fun don't!


bin laden morgen
cão dos vizinhos a abrir a pestana since 5 da manhã


dona de casa desesperada #2
por mais que esfregasse, nunca esfoliava


- o quê, não me digas que queres mudar o mundo?!?
- quero


o quarto
onde vivia
era tão pequeno
que
vivia num quartinho de hora


há-de chegar o dia em que terei pálpebras a mais

15.9.05

desmusicando
pela 2ª vez perco o concerto dos coldplay
por pura e alarve falta de atenção
agora chora e esperneia
e vem a público
pedir desculpa
a
ti
própria


estupendo
shufflando



Soundtrack -American Beauty
Unchain my heart- Ray Charles
Fever- Peggy Lee
Time is now- Moloko
Sinnerman- Nina Simone (T.C.A. OST)
Too Hot- Kool and the Gang
Sway- Michael Bublé
Pasíon- Rodrigo Leão
Hakuna Matata- Lion King O.S.T.
Criatura da Noite- Entre Aspas

14.9.05

há vezes em que ter um jatardanos é ter doença:
tive um jantardanos na quanta-feira, mas agora já passou, já está tudo bem.


diálogos reais
-se soubesse na altura o que sei hoje não me tinha metido nisso, caí nessa merda e só não foi tudo cu caralho porque ela é uma pessoa excelente.
-pois, eu sei que é um erro e que vai ser a mema merda comigo mas agora já tou metido nisso e vou-me mesmo casar, não há nada a fazer.


(tinham mais ou menos 30 anos e um aspecto normal)


na vida:
não tenho mão para tantos apertos


hoje choveram em mim vários ares condicionados


crucial
não me importo com o tampo da retrete levantado mas não é bom para o feng shui
cede-se à preguiça ou à superstição?

13.9.05

sensitive

Contém:
Citrato de Potássio 5,53%
Monofluorfosfato 1,14%
(os outros 93,3 % intrigam-me infinitamente)

12.9.05

aquela sensação de, ao lermos, constantemente nos enganarmos no nome de um personagem e por mais que tentemos não conseguimos ler da maneira correcta e é assim até ao fim do livro? eu estou assim 24 horas por dia.


milagre
venha ele, o milagre, que bem precisamos
que esta brincadeira vai durar mais quatro anos
e não há onde meter tanto animal


se for menino é sinupe, se for menina é deyse

9.9.05


doença por doença,
antes um sopro no coração
que um bico de papagaio

7.9.05


é ou não é para enchapadar a fronha de alguém que nos diz que
uma bica curta tem mais cafeína, vulgo é muito mais forte, do que um café cheio?



dou a mão a todas as palmatórias que se apresentam à minha frente!
é verdade verdadinha, vergada estou às evidências.
é um consolo, isto é um consolo.
consolo do bom.
ai, ai... suspiro eu
estou mais descansada agora
uff!
devia ser sempre assim
obrigada

6.9.05

e este post é um eufemismo
ainda não vi a bonança mas alguém me disse que em breve voltaria de férias, para eu experimentar lá pró meio do mês. não vi e também não a almejo agora nos horizontes. eu bem queria mas não vejo. e então isto pra dizer o quê? que estou fartinha de coisas feias. juro que a fealdade me fere até ao osso. depois do osso. destrói-me o osso. e o resto também. parte-me toda no mau sentido. tenho vontade de gritar pela minha consciência cada vez mais alargada do horror miserável que vejo a todo o momento. quer dizer, eu não vejo, eu levo com ele na cara, qual granada. perdi as minhas defesas, os meus anticorpos. agora desfaz-se-me o corpo cada vez que há embate. e é um combate imenso para não pontapear a imundície que comigo se cruza ou de ficar fechada em casa, arriscando a decadência da minha saúde. é impressão minha ou está tudo cada vez mais asqueroso? tudo é mesmo tudo. serão apenas os meus olhos? será que o jardim da estrela sempre foi frequentado por vagabundos, homens com pinta de pedófilos, mulheres dos pombos, areia sujíssima e baloiços degradados? isto é um exemplo, mas terá sido sempre assim? estarei agora a perder o naïfismo em jeito de crise da idade ou está cada vez pior mesmo? ligando a tv à meia-noite, passada a hora das novelas, em quase 40 canais, não encontro uma imagem decente. 57 channels and nothing on é mesmo asim. também sei que isto não pode ser tudo corrido a arco-íris e algodão-doce mas agora é caso para soltar o belo do palavrão (raro em mim, mas aplica-se qual forma à questão), isto é, foda-se! visões terríficas de vidoeclips do pior, documentários de guerra, fome, tragédia, doença, dor, com o sangue mais explícito, operações ao coração a céu aberto, sem pudor nenhum, fantasmas, espíritos, tudo sobrenatural para a pessoa não dormir nunca mais. em que é que estão a pensar? do marylin manson ao snoop dog de rabos ao léu, de facadas à escuridão das filmagem. está de se fugir. começo a ser partidária da novela. tudo o resto é de uma agressividade que me deixa nauseada num sentido tão verdadeiro que nem nunca pensei que assim pudesse ser.
o zapping nocturno é francamente assustador. os passageiros do metro cada vez mais canibais, animais, bestiais, parecem gárgulas ou pierrots. o povo cada vez mais ordinário. tudo imundo. tudo imundo. tudo imundo. quero acreditar e por outro lado não quero que isto é só pessimismo meu - sou drama queen acreditada, credenciada, registada e declarada em todos os continentes - mas quer-me parecer que não estou enganada, uma vez que quando tenho o belo frente à tromba assim o vejo (com as devidas salvaguardas de relativismos pessoais)!
já não consigo ignorar, viver com isso, olhar para o lado e fingir que não vejo, participar nas conversas sinistras que sem querer todos temos. (sim, porque também há fealdade involuntária - não posso culpar o cão morto na estrada de nada p.ex. e no entanto choca-me, dói-me e não devia ser assim)
o feio não é a camisa mal combinada. o feio é o mal. por isso a Estética tem para mim o valor que tem. chamem-me platónica, plutónica, faraónica, mas ninguém me desconvence que o bem possa deixar de ser belo e verdadeiro, da mesma maneira que o mal não de desprende do feio etc. mesmo que se lhe pinte os mais extraordinários frescos por cima...
estarei a viver uma megalomania estético-invertida/regressiva?
não era suposto o mundo ficar melhor, ir ficando mai menito?
is it me? just me? é dos meus olhos? am i going blind (qual ray charles)?
onde está o meu querido spacey para me dizer que sometimes ther's just so much beauty in the wold que ele quase nem aguenta? onde estou eu agora, que não me sinto assim? pelo contrário, não sei se aguento muito mais este filme de terror da vida que está em todo lado, em tudo, tudo, quase tudo contaminado...



o que é que eu estou aqui a fazer se nasci para os trópicos???


GOSTAVA DE SER MARCANTE



a vida é doce porque existem os coretos

5.9.05

eu
hoje
dou música

4.9.05

VIVAM OS AMOLADORES ! ! !



na minha campanha eleitoral vou exigir mil flores para cada relvado, uma manteiga para cada torrada, um par de ténis para cada pé, uma saia para cada tripé, um cachimbo para cada barba, canetas para todos os dedos, pincéis para todos os medos, gazes para os segredos, maquinetas para inválidos, lianas em todas as selvas, lagoas nas avenidas, rede de siesta mínima garantida, transporte aéreo gratuito para todos os residentes, caves de mistérios ocultos para os maus presidentes, marchas populares, padarias e lagares, cancioneiros e fadistas às terças e quintas, rusgas de batatas fritas, serpentinas e cornetas no primeiro fim de semana de cada mês, ordenados empolados, exigirei saúdes de ferro, badalos em todas as vacas, refrescos e limonadas. e depois o resto. e estou a falar a sério.


certinho como o destino?!?!?
mas desde quando o destino é certo?



time frame, janela temporal, moldura a partir, oportunidade única, fecha portas mas abre janelas, abre latas e leva com elas. toma lá dá cá que isto não é o da joana, é o da rita. mando em pouco mas mando nalguma coisa. e gostava de mandar no meu.


no fundo sou uma incontinente



não tenho medida para as minhas palavras


my cup of tea

3.9.05

fuga ao noticiário
de todas as vezes que oiço notícias sobre new orleans lembro-me do ensaio sobre a cegueira e do quão perto estamos todos da perfidez que nos habita.


vivo numa constante de embasbacamento e pasmo com o real, é sabido, ponto assente e garantido. com as montanhas e saladas russas habituais.
e ontem, ao passar na CREL (acho que foi por aí) e ao olhar para a beira da estrada, mais um episódo me assaltou. comecei a olhar para as casas que ladeavam a via e, já de noite, percebiam-se as vidas que decorriam dentro daquelas massivas colmeias décimandares. e daí comecei a pensar na quantidade imensa de pessoas, famílias, quotidianos que ali se desenrolam sem eu nunca ter pensado nelas. nunca me lembrei que tanta gente regressasse a loures no fim dos seus dias. quer dizer, sabia mas não sabia. sabia mas não acreditava a sério e ontem, sem ser epifânico, pude ver (mesmo assim à distância) aquelas ruas, pracetas, cafés de bairro, churrasqueiras, estendais à noite e carros estacionados. escusado será dizer que o espanto se abateu e esbocei logo ali dez dezenas de romances que ali começavam e ali acabavam. porque há vida em moscavide e porque talvez ontem, à hora que ali passei, estivesse um de vocês, frente ao écran a debitar letrinhas para compor coisas assim, coisas destas.
e somos assim, limitados, sem crermos vemos e nunca sabemos muito do que está para além de nós. porque somos muitos mas todos somos poucochinho.


num qualquer cartaz de campanha ornamental, de um qualquer partido lias-se: ACORDA CASCAIS, acompanhado de uma foto depictando um relógio despertador cujos ponteiros, para minha surpresa, apontavam os 10 para as 4 (ou 20 para as 4 - estava escuro e eu estava noutra). agora pergunto: tão cedo ou tão tarde? se se deram ao trabalho de fugir ao tradicional 10 para as 10 sorridente, porquê quatro da manhã ou quatro da tarde? em que é que ficamos cascais? foi ao acaso? chegou da noite e quer acordar para o lanche? trabalha no turno da madrugada? alguém me ajude que eu sozinha não chego lá.
(por falar em enigmas, nunca houve qualquer feedback na questão da eiffel dos milhões. mas anda tudo a dormir ou quê?)


estou assim, ávida. onde acabará o meu sábado?


um cigarro, quinze passas


no meu tour, que agora sou turista, vou de encontro e com toda a força a excelentíssimas peças de vários combloggers. faço aqui a minha vénia e deixo aqui o resto dos meus cotovelos que roí com afinco.
às vezes é muito triste ser-se pequenino...


só na ternura dos 40 sentiu a frescura dos 20


nunca fui boa da carolla


Ao Pedro,
onde quer que esteja



mãos ao alto,
isto é uma expedição
safari de carabina
chapéu de explorador
corrida atrás do leão
fugindo ao rugido
no silêncio da savana
sem deixar denunciar
pé ante pé
a preparar para atirar
agora falha, ali em cheio
de presa aos ombros
comendo-lhe os lombos
com pó no corpo
caçando um porco
ao pôr do sol
em si bemol
em casa, lá longe
de calor e cansaço
cais no regaço
de quem te deixar


suicidou-se por uma questão de prestígio


no trabalho
-você é um desperdício de papel


escrevo com lápis porque posso escrever deitada
....
...
..
.
sem que a tinta acabe


depois de simone
nutro e dedico com empenho um ódio muito especial ao jorge gabriel. por todos os motivos e principalmente por ser o menino querido das velhas. o cidadão malato também não me deixa indiferente mas o seu burgess appeal assumido atenua as coisas. ainda neste capítulo dos desgostos no entertenimento, saliento com o maior dos destaques a alexandra lencastre por ser a mulher mais hidratada da tv de todos os tempos.



PAPEL HIGIÉNICO PERFUMADO:
expliquem-me s.f.f.
(estas frases cheiram a lavanda)

1.9.05

sem título e sem piedade
quisera eu que isto não fossem só ameaços. mas serem. falta-me a rede e falta-me tudo. (suspiro) e sendo triste, e sendo verdade, cá salpicarei umas gotas deste ensopado. para muito do meu bem.


 

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