gaveta
6.9.05
e este post é um eufemismo
ainda não vi a bonança mas alguém me disse que em breve voltaria de férias, para eu experimentar lá pró meio do mês. não vi e também não a almejo agora nos horizontes. eu bem queria mas não vejo. e então isto pra dizer o quê? que estou fartinha de coisas feias. juro que a fealdade me fere até ao osso. depois do osso. destrói-me o osso. e o resto também. parte-me toda no mau sentido. tenho vontade de gritar pela minha consciência cada vez mais alargada do horror miserável que vejo a todo o momento. quer dizer, eu não vejo, eu levo com ele na cara, qual granada. perdi as minhas defesas, os meus anticorpos. agora desfaz-se-me o corpo cada vez que há embate. e é um combate imenso para não pontapear a imundície que comigo se cruza ou de ficar fechada em casa, arriscando a decadência da minha saúde. é impressão minha ou está tudo cada vez mais asqueroso? tudo é mesmo tudo. serão apenas os meus olhos? será que o jardim da estrela sempre foi frequentado por vagabundos, homens com pinta de pedófilos, mulheres dos pombos, areia sujíssima e baloiços degradados? isto é um exemplo, mas terá sido sempre assim? estarei agora a perder o naïfismo em jeito de crise da idade ou está cada vez pior mesmo? ligando a tv à meia-noite, passada a hora das novelas, em quase 40 canais, não encontro uma imagem decente. 57 channels and nothing on é mesmo asim. também sei que isto não pode ser tudo corrido a arco-íris e algodão-doce mas agora é caso para soltar o belo do palavrão (raro em mim, mas aplica-se qual forma à questão), isto é, foda-se! visões terríficas de vidoeclips do pior, documentários de guerra, fome, tragédia, doença, dor, com o sangue mais explícito, operações ao coração a céu aberto, sem pudor nenhum, fantasmas, espíritos, tudo sobrenatural para a pessoa não dormir nunca mais. em que é que estão a pensar? do marylin manson ao snoop dog de rabos ao léu, de facadas à escuridão das filmagem. está de se fugir. começo a ser partidária da novela. tudo o resto é de uma agressividade que me deixa nauseada num sentido tão verdadeiro que nem nunca pensei que assim pudesse ser.
o zapping nocturno é francamente assustador. os passageiros do metro cada vez mais canibais, animais, bestiais, parecem gárgulas ou pierrots. o povo cada vez mais ordinário. tudo imundo. tudo imundo. tudo imundo. quero acreditar e por outro lado não quero que isto é só pessimismo meu - sou drama queen acreditada, credenciada, registada e declarada em todos os continentes - mas quer-me parecer que não estou enganada, uma vez que quando tenho o belo frente à tromba assim o vejo (com as devidas salvaguardas de relativismos pessoais)!
já não consigo ignorar, viver com isso, olhar para o lado e fingir que não vejo, participar nas conversas sinistras que sem querer todos temos. (sim, porque também há fealdade involuntária - não posso culpar o cão morto na estrada de nada p.ex. e no entanto choca-me, dói-me e não devia ser assim)
o feio não é a camisa mal combinada. o feio é o mal. por isso a Estética tem para mim o valor que tem. chamem-me platónica, plutónica, faraónica, mas ninguém me desconvence que o bem possa deixar de ser belo e verdadeiro, da mesma maneira que o mal não de desprende do feio etc. mesmo que se lhe pinte os mais extraordinários frescos por cima...
estarei a viver uma megalomania estético-invertida/regressiva?
não era suposto o mundo ficar melhor, ir ficando mai menito?
is it me? just me? é dos meus olhos? am i going blind (qual ray charles)?
onde está o meu querido spacey para me dizer que sometimes ther's just so much beauty in the wold que ele quase nem aguenta? onde estou eu agora, que não me sinto assim? pelo contrário, não sei se aguento muito mais este filme de terror da vida que está em todo lado, em tudo, tudo, quase tudo contaminado...
o zapping nocturno é francamente assustador. os passageiros do metro cada vez mais canibais, animais, bestiais, parecem gárgulas ou pierrots. o povo cada vez mais ordinário. tudo imundo. tudo imundo. tudo imundo. quero acreditar e por outro lado não quero que isto é só pessimismo meu - sou drama queen acreditada, credenciada, registada e declarada em todos os continentes - mas quer-me parecer que não estou enganada, uma vez que quando tenho o belo frente à tromba assim o vejo (com as devidas salvaguardas de relativismos pessoais)!
já não consigo ignorar, viver com isso, olhar para o lado e fingir que não vejo, participar nas conversas sinistras que sem querer todos temos. (sim, porque também há fealdade involuntária - não posso culpar o cão morto na estrada de nada p.ex. e no entanto choca-me, dói-me e não devia ser assim)
o feio não é a camisa mal combinada. o feio é o mal. por isso a Estética tem para mim o valor que tem. chamem-me platónica, plutónica, faraónica, mas ninguém me desconvence que o bem possa deixar de ser belo e verdadeiro, da mesma maneira que o mal não de desprende do feio etc. mesmo que se lhe pinte os mais extraordinários frescos por cima...
estarei a viver uma megalomania estético-invertida/regressiva?
não era suposto o mundo ficar melhor, ir ficando mai menito?
is it me? just me? é dos meus olhos? am i going blind (qual ray charles)?
onde está o meu querido spacey para me dizer que sometimes ther's just so much beauty in the wold que ele quase nem aguenta? onde estou eu agora, que não me sinto assim? pelo contrário, não sei se aguento muito mais este filme de terror da vida que está em todo lado, em tudo, tudo, quase tudo contaminado...



