gaveta
24.9.05
não me apetece deliberar, decidir e condenar. saber se vergonha é roubar ou ser apanhado, se infedilidade é só vontade e se porno é arte. não me apetece repetir-me na cantilena circus vulgaris de palhaçadas compradas na mango, de que mal que vai tudo isto, vou-me embora, ou é mau mas ainda é o melhorzinho. não me apetece schubert nem outros teclantes, nem pedros pais nem pedras rolantes, bacalhau à vai com deus que isto o diabo não está sempre atrás da porta. eu quero é patinagem, sem a artística sujeita a nota, antes contusão a pirueta e mais duas histórias para contar. o que eu quero é escrever cartas e que cantem para mim sem me mandar calar, eu quero canja de galinha, fazer bolhas com a palhinha e ir prá cama a estrebuchar. duas piadinhas fáceis, todas fora dos carris, festas de anos e jardins, mousses de chocolate no cabelo e chamar-lhes avant garde. inventar e impingir, telefonar pra chatear. hoje é sabado e é assim.



