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gaveta
3.9.05

vivo numa constante de embasbacamento e pasmo com o real, é sabido, ponto assente e garantido. com as montanhas e saladas russas habituais.
e ontem, ao passar na CREL (acho que foi por aí) e ao olhar para a beira da estrada, mais um episódo me assaltou. comecei a olhar para as casas que ladeavam a via e, já de noite, percebiam-se as vidas que decorriam dentro daquelas massivas colmeias décimandares. e daí comecei a pensar na quantidade imensa de pessoas, famílias, quotidianos que ali se desenrolam sem eu nunca ter pensado nelas. nunca me lembrei que tanta gente regressasse a loures no fim dos seus dias. quer dizer, sabia mas não sabia. sabia mas não acreditava a sério e ontem, sem ser epifânico, pude ver (mesmo assim à distância) aquelas ruas, pracetas, cafés de bairro, churrasqueiras, estendais à noite e carros estacionados. escusado será dizer que o espanto se abateu e esbocei logo ali dez dezenas de romances que ali começavam e ali acabavam. porque há vida em moscavide e porque talvez ontem, à hora que ali passei, estivesse um de vocês, frente ao écran a debitar letrinhas para compor coisas assim, coisas destas.
e somos assim, limitados, sem crermos vemos e nunca sabemos muito do que está para além de nós. porque somos muitos mas todos somos poucochinho.

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