gaveta
26.10.05
"Ao José Gomes Ferreira" (mas podia ser para mim)
Por baixo a cidade
dentro da gaveta.
Lua de saudade
no céu do poeta.
No bolso uma estrela
e uma borboleta.
Um dragão que vela
o sono do poeta.
No peito uma rima
da dor mais abjecta
saltando por cima
do amor do poeta.
É o medo o medo
que abre uma greta
e mostra o segredo
que queima o poeta.
No fundo a certeza
da morte completa
que se senta à mesa
do próprio poeta.
E a morte é um lírio
que enfeita a sarjeta
aberta em delírio
à voz do poeta.
por Joaquim Pessoa



