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gaveta
3.12.05

Love Story
Aurélio era copista
colhia e semeava,
reduzia e imitava,
reluzia e debitava
informação

Um dia viu-se Aurélio
doido doido de emoção
disse Aurélio de si para si:
Mata-me, mata-me o borrão

Veio Aurélia colorida,
flor cedo colhida,
saia rodada e enfeitada
segredar-lhe ao orelhão:

Aurélio lindo Aurélio
pinta e escreve para mim
Aurélio meu Aurélio
vou amar-te até ao fim

Posto isto assim posto,
depôs nosso Aurélio a pena
arrastando-se prado fora
na demanda da melena

Aurélia bonita e esperta
disse a Aurélio: desaperta
Aurélio dito e feito,
disse e veio sempre escorreito

Vendo Aurélia tanto brilho
e querendo Aurélio tanto filho,
disse-lhe Aurélia ao ouvido:
Rebéubéubéu pardais ao ninho.

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