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gaveta
14.12.05

é sempre com preguiça que falo. quero dizer, não será sempre, mas a maioria das vezes. ou porque é inútil ou porque a maioria do que quero dizer já está dita ou melhor, nem é preciso recitá-la. é sempre com preguiça que escrevo. não tanto com preguiça, claro mas porque sei que se começasse a sério, e o que será este sério, o mais provável era não parar. mas a maioria é estatística e o mais provável é só probabilística, e nem uma nem outra me interessam por aí ou por além. e se calhar é por isso que digo, ou vá lá deus saber, continuo. não a favorecer contras nem para demarcações fantasiadas, que disso, e a sermos 100 biliões, seria sempre difícil. e para difícil temos o resto todo.
agora nesta dificuldade, deixai-me dizer ao mundo inteiro, daqui, do meu palanque de tabuinhas de pinho, com dias de platex ou fórmica, que, e é aqui que faço a vénia: a capacidade, é que nem é preciso mais nada, nem falo da qualidades, só a capacidade de expressão é uma estrondância de trovão. e ninguém diga o contrário. o milagre é o do meio. não o filho do nem o de comunicação, não o da torrada. mas o justo. e o veículo, aquele que não é automóvel, o veículo que nós empurramos. é a ligação, a troca atómica que me deixa atónita, que me dá a tónica à acção.
fresco fontanário de porquês, não é uma busca oracular o que move o que movo. o que me comove é a perfeição. a que às vezes inunda. a sintonia de uma ligação, quando tudo o resto é estática ou mau sinal. saber a frequência, reconhecer a cadência, essa dança sincopada, telepatovisionada. aí é que está o ovo da galinha.
está bem, há muitos ovos, muitas galinhas e tudo isso. mas hoje, aqui e agora, eu rita, às dez e meia da noite no dia catorze de dezembro de dois mil e cinco, aponto o dedo e digo: é isto!
e é que é isto mesmo! e é que nem é outra coisa.
e é milagre que eu esteja a apontar este dedo que alguém me deu de presente, o amigo invisível da festa de todos os dias, com sorteios resorteados diariamente qual sorte grande.
e é assim, meia tonta meia bêbada que vou tentando um lótus a ver se m'acalmo, e se ganho coragem, que a questão é mais falta de coragem do que aquilo a que eufemísticamente chamei preguiça, a tentar ver às escuras se o gato é pardo ou leopardo, se destrinço um sentido à trança, trama teia de aranha que aqui vai. a ver se faço listas, se recruto os meus mebros e os ponho a fazer. até sem critério, pelo menos ao princípio, mas a fazer. a fazer alguma coisa. e nem é preciso ser com jeito.

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