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gaveta
7.2.06

atchim


de mexer o café com a colher ainda que não ponha açucar, de me servir demais, de olhar para a televisão sem a ver, de adormecer de luz acesa, de querer desembrulhar tudo, de fazer almofadas de areia na praia, de abusar do sal nas batatas fritas, de voltar atrás para uma segunda checkada ao espelho, de recortar coisas que gosto, de pôr tudo na gaveta, de deixar para amanhã, de ter as unhas pintadas, de morder o que posso, de roer os dedos e as pontas dos lápis e ficar com tinta e sabor a madeira na língua, de beber a água do mar dos cabelos molhados, de ir para a cama com as meias com que andei todo o dia, de deixar o triângulo do pacote de leite na gaveta de onde tirei a tesoura, de olhar infinitamente as prateleiras do frigorífico, de empilhar livros, de deixar tudo a meio, de mudar constantemente de faixa e de estação de rádio, de encontrar senãos, de lavar as mãos, das malas e dos sapatos, de encontrar trocadilhos em tudo, de olhar para os outros, de achar que o facto de eu cantar não incomoda ninguém, de entrar em todo o lado só para ver, de pedir copos de água, de imaginar negócios milionários, de tentar impingir coisas de que gosto aos outros, de rabiscar papelinhos e escrever coisas em bilhetes e guardanapos, de ler as portas das casas de banho, de ouvir conversas de terceiros, de achar que me safo, de que é preciso mudar tudo, de que está muito bem assim


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